sábado, 28 de maio de 2011

Traduzindo Hannah: finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, categoria "melhor livro do ano"

28/05/2011 - 19h54

Festival divulga finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura

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MARCO RODRIGO ALMEIDA
ENVIADO ESPECIAL A SÃO FRANCISCO XAVIER

Rubens Figueiredo ("Passageiro do Fim do Dia"), Nelson de Oliveira ("Poeira: Demônios e Maldições") e Adriana Lisboa ("Azul-corvo") são alguns dos finalistas da categoria principal do Prêmio São Paulo de Literatura 2011.
O anúncio oficial dos 20 indicados foi feito na noite deste sábado, durante o quarto Festival da Mantiqueira, em São Francisco Xavier (138 km de SP).
O prêmio é dividido em duas vertentes: romancistas estreantes e veteranos. Cada uma tem dez finalistas. Os livros finalistas foram publicados em 2010 e lecionados a partir de uma lista de 221 romances inscritos.
No dia 1º de agosto serão anunciados os dois vencedores (um de cada categoria), em cerimônia no Museu da Língua Portuguesa.
Cada um deles receberá R$ 200 mil, o maior valor pago por um prêmio literário no Brasil.
Em 2010, foram premiados Raimundo Carrero ("A Minha Alma É Irmã de Deus") e Edney Silvestre ("Se Eu Fechar os Olhos Agora").
Confira abaixo a lista completa de finalistas:
*
MELHOR LIVRO DO ANO
(ordem alfabética de autor)
Adriana Lisboa
"Azul-corvo"
Rocco
Carola Saavedra
"Paisagem com Dromedário"
Companhia das Letras
Evandro Affonso Ferreira
"Minha Mãe se Matou sem Dizer Adeus"
Record
Joca Reiners Terron
"Do Fundo do Poço se Vê a Lua"
Companhia das Letras
Menalton Braff
"Bolero de Ravel"
Global
Miguel Sanches Neto
"Chá das Cinco com o Vampiro"
Objetiva
Nelson de Oliveira
"Poeira: Demônios e Maldições"
Língua Geral
Ronaldo Wrobel
"Traduzindo Hannah"
Record
Rubens Figueiredo
"Passageiro do Fim do Dia"
Companhia das Letras
Sérgio Mudado
"Os Negócios Extraordinários de um certo Juca Peralta"
Crisálida
AUTOR ESTREANTE
(ordem alfabética de autor)
Andréa del Fuego
"Os Malaquias"
Língua Geral
Bráulio Mantovani
"Perácio - Relato Psicótico"
Leya
Eduardo Giannetti
"A Ilusão da Alma: Biografia de uma Ideia Fixa"
Companhia das Letras
Gabriela Guimarães Gazzinelli
"Prosa de Papagaio"
Record
Hélio Pólvora
"Inúteis Luas Obscenas"
Casarão do Verbo
Luis Alberto Brandão
"Manhã do Brasil"
Scipione
Marcelo Cid
"Os Unicórnios"
7 Letras
Marcelo Ferroni
"Método Prático da Guerrilha"
Companhia das Letras
Marco Lucchesi
"O Dom do Crime"
Record
Reni Adriano
"Lugar"
Tinta Negra

terça-feira, 19 de abril de 2011

Artigo publicado na Revista Menorah - Fevereiro de 2011

Ocidente

Dia desses um amigo comentava a situação no Egito, condenando o apoio de Washington ao regime de Hosni Mubarak. Reclamou que os Estados Unidos só defendem a democracia quando os ditadores são seus inimigos. Não tirei-lhe a razão. Só que, embora pertinentes, as palavras de meu amigo pecavam pela obviedade. Qualquer pessoa informada sabe que não existem mocinhos e bandidos no cenário internacional; que as políticas imperialistas são feitas de interesses e métodos contraditórios; que os fins justificam meios nem sempre virtuosos. É a realpolitik defendida por pensadores e estadistas no correr dos séculos. A História não é uma linha reta e evolutiva, mas um emaranhado de controvérsias. Sim, os Estados Unidos apoiaram por três décadas um ditador que lhe foi conveniente no Oriente Médio. A questão é saber o que teria resultado de uma transição política naquele campo minado pelo extremismo, onde a liberdade é muitas vezes usada em seu próprio detrimento; onde a democracia costuma se enterrar com as próprias ferramentas. Sim, a política externa norte-americana é cheia de ambivalências. Resta saber quais alternativas o mundo oferece para aprimorá-las - ou substituí-las.

Hoje, as duas forças emergentes no mundo não são lá muito afeitas à democracia. De um lado, o mundo islâmico tende às ditaduras teocráticas. De outro, a China cabe nas impressões de Winston Churchill sobre a Rússia dos anos 1930: uma charada envolta num mistério dentro de um enigma. A cultura ocidental vem sendo acuada há várias décadas e a crise no Egito é só mais um lance potencialmente perdido para outras forças. Enquanto chineses e islâmicos ganham espaço sem delongas humanitárias, o Ocidente vive uma lenta e profunda desagregação causada, em grande parte, por suas próprias liberdades. Vantagens à parte, o individualismo e a diversidade geram mais discórdia do que coesão. Cada pessoa busca o seu caminho, sua realização, sua convicção. Já a opressão política tem o mérito de calar dissonâncias, de transformar populações inteiras num rebanho amestrado. Querendo ou não, eles marcham num sentido relativamente definido – contra o Ocidente.

Enquanto isso, poucos ocidentais estão realmente preocupados com os rumos da cultura que nos permite viver em estados laicos; que tem levado a ciência e a tecnologia a níveis extraordinários de desenvolvimento; que prestigia a razão, a legalidade e o respeito às liberdades individuais, estimulando a diversidade religiosa, cultural, política, sexual, etc. Eis o saldo do individualismo: um sistema onde o interesse pessoal prevalece sobre a solidez coletiva. O preço disso vem sendo pago com juros escorchantes e a insolvência já bate às nossas portas.

Não existem regimes perfeitos, mas existem os menos imperfeitos. Haverá, sempre, formas de minorar as imperfeições daquilo que se quer melhorar. Nossos direitos e liberdades não vieram do nada. Se aqui estamos, transitando pelo mundo com relativa autonomia e escolhendo nossos caminhos, é porque outras gerações lutaram por isso. Temos sabido manter o legado?

Aqueles que costumam criticar Israel para camuflar tendências antiamericanas deveriam entender que toda e qualquer ameaça ao estado judeu tem, como alvo, o próprio Ocidente. Por um lado, críticas fundadas serão sempre bem-vindas. Por outro, precisamos levar em conta que Israel é um patrimônio imprescindível para o Ocidente, ainda mais agora, quando a incerteza ronda um vizinho tão importante.

Ronaldo Wrobel

Primeira Postagem

Amigos, estou inaugurando meu blog neste dia glorioso: 19/04/2011, Dia do Índio. Espero que o blog não seja um programa à altura do dia.